
Bem, nada melhor que um título para quase explicar a intenção do meu texto.
Para uns, tal data seria de comemoração por algo tão sublime como o nascimento. Para outros, pode até ser a data de vencimento de algum documento importante. Para a maioria, é somente mais uma data que não significa nada. Pra mim? Não passa da data mais triste da minha vida. Alguns desconfiam o motivo de tanto ênfase na data.. outros desistirão de ler e mudarão de página assim que não souberem do que se trata logo de cara. Dia 20 de abril é véspera de feriado e eu deveria estar feliz, pois folga no trabalho não se tem todo dia (ainda mais no meu). É o dia em que eu me lembro do ano de 2003, é o dia em que eu paro pra lembrar o que eu já vivi e o que eu não pude viver ao lado da pessoa mais importante da minha vida. As lágrimas são inevitáveis nessa altura do texto, mas não se importe, mude de página. É triste você ter uma grande pessoa na sua vida e ter que se referir a ela sempre no passado, não poder criar um novo passado ou rir com ela de todo o passado já criado. Sinto falta dos domingos monótonos onde comiamos pizza e viamos O Domingão do Faustão de camisola esperando a hora de ir dormir pra ir pra escola no dia seguinte. Sinto falta das conversas bem sérias que deixavam a minha mão gelada e com borboletas na barriga, quando conversavamos sobre namoradinhos da escola e notas baixas. Eu consigo sentir falta de quando eu acordava cedo e tomava banho sob os olhos dela e que quando chegava a hora do almoço eu poderia colocar a salada de cenoura, penino e alface no prato dela e depois deitavamos para que ela descansasse para voltar à batalha. Quando eu mentia sobre as domésticas, quando eu falava mal de alguém, quando eu escrevia cartas pedindo desculpa, quando fazia travessuras com a minha irmã lá estava ela tão serena e pronta pra resolver qualquer situação, por mim, criada. Ela sempre esteve, até quando eu ligava a cobrar pro seu trabalho pra dizer qualquer coisa. Ela estava lá quando eu tomava banho e ela, lá, aparecia me dando um susto com uma máscara de monstro. Ela estava lá quando eu brigava com a minha irmã e ela nos acertava, seja no beliscão ou seja nas duras palavras. Se eu choro é pela falta do que vivi e do que quis viver com ela. Viviamos a melhor vida que eu poderia escolher, mas acabou.
Quando eu a perdi, demorei semanas para que minha ficha chegasse à mim. Cheguei, aos 11 anos, a negociar sua volta com Deus para que ele se tornasse um cara legal pra mim, mas ele não se interessou. Antes dela ir minhas ultimas palavras destinadas à ela foram "mãe, não vai não.". É, eu estou falando da minha mãe! Daquela que me deu o maior exemplo de mulher na vida. Eu falo dela pois é dela que eu tenho orgulho e é nela que eu me espelho. Tenho sorte de parecermos no físico e fico feliz quando nos comparam a personalidade, somos iguais. Eu sou você, e você em mim. Escrevo para colocar pra fora a angustia que há em meu peito, essa é a única vez que sou egoísta e que falo só do que eu sinto.. falo só para mim!
Já se passaram 8 anos. "E você chora do mesmo jeito?" - É cada vez pior, a cada dia que passa eu a amo mais e sinto mais falta dela. Não sinto falta de alguém, era ela que estaria nesse lugar.. ninguém mais. Pedir conselhos sobre o amor, ir para a ginecologista acompanhada dela, deitar no seu colo e dormir, deitar de bunda-com-bunda e dormir feliz, dizer o quanto eu detesto acordar cedo pra trabalhar, contar o meu dia, discutir sobre coisas que passam no jornal nacional, levá-la para ver eu fazer as minhas tatuagens, apresentar ao meu namorado e fazer ele gostar muito dela, fofocar da minha avó, fazer uma festa surpresa quando chegasse seu aniversário, agradecer os elogios dos seus amigos quando disserem que somos parecidas, me preocupar com uma febre boba, comer as comidas mais deliciosas que ela faz, comprar um vestido e lembrar dela, pedir que me maqueie para ir numa festa, bebermos umas caipirinhas ouvindo um mpb ao vivo no empório maritmo, paquerar alguns pedrestes na faixa, dividir minha hora de almoço, ir a lugares que só ela me leva, deitar e gritar por um copo d'água, comentar as astúcias da minha irmã com ela, dizer "amanhã" quando ela mandar eu arrumar o guarda-roupa, morrer de vergonha quando ela encontrar camisinha na carteira, pegar o carro e irmos a um lugar desconhecido, fazer mais trilhas e ralis como antigamente, tirar fotos malucas cujas poses ela inventaria, escrever um texto agradecendo tudo isso. É disso tudo que eu sinto falta mesmo sem viver isso com ela.
Mãe, nesse dia, fazem 8 anos que eu planejo pra sonhar tudo com você. O amor será sempre o mesmo, eu acho até que ele cresce com o tempo, e a dor cresce junto!
Não quero abraço e nem tapinhas nas costas, não quero compreensão e nem boa vontade de ninguém. Não quero dó e nem "sinto muito". Ninguém sente, nem sentirá como eu.
Não serei rude, só quero expressar o que mais dói em mim em dias como esse e que eu possa fazer isso sem que ninguém se sinta obrigado a me fazer sentir melhor com tal condição.
Com a garganta doendo, febre e às 22:15 da noite. Parti.
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