
Em uma tarde morna ela brincava com os pássaros de seu pensamento, desafiando-os em querer saber até onde eles iriam se ela os deixassem livres. Ela, sozinha e desprendida da vida, saiu a galopar em seus próprios pés descalços a procura de algum firmamento. Encontrou a areia molhada da beira de um riacho calmo e limpo,
então falou pro rio: - Posso ficar, todos os dias, nessa tua areia fria e confortável até eu repousar meus pensamentos?
E o rio lhe respondeu: - Minha terra fria e aconchegante só serve para consolar a mim, que não posso sair de onde estou e nos dias de calor me resumo à uma poça pequena e triste. Vá, xô xô..
E ela continuou a galopar. Triste, mas com vontade de achar o tal firmamento que a deixaria tão segura de suas ideias e de sua lei. Encontrou passarinho cochilando na sombra de uma laranjeira novinha e logo abriu o sorriso! Pensou "isso sim é firmamento".
E depois de pensar falou: - Passarinho pequenino, posso firmar minha vida no teu ninho? Podes me guardar em tuas asas para que eu viva sempre voando?
Mas o passarinho lhe falou descontente: Eu sou tão pequeno que nem consigo me carregar nesse céu tão imenso. Poderia suportar por um, não por dois, minuto o peso de seus problemas.. mas logo te deixaria no chão para se livrar deles.
Ela continuou na jornada, seguindo, mais consolada. Descobriu que perto de riacho nada dura e que nos céus não habitam problemas. Mas ela ainda tinha um fiapo de esperança de encontrar, enfim, o firmamento que afugentaria sua alma e a deixaria segura.
"Espera aí, você falou 'afugentar minha alma'? Mas pra que eu queria isso? É isso que acontece quando as pessoas dizem que estão felizes com os pés no chão, é isso que é ser seguro?"
E ela nunca mais parou de caminhar e fugir do firmamento...
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