"Ai ai, à vida" e ninguém ouve o "tin-tin" de nossas taças de plástico batendo uma na outra a comemorar nada mais que o fato de ainda respirar. "Ao mundo" - dizemos nós ao encostarmos as nossas costas e suspirarmos dando graças por viver em um mundo tão medíocre e surpreendente, que mesmo fechando os meus olhos para tanta coisa dispensável não dispensa o olhar para coisas válidas que ainda restam. "Aos poetas, sim, aos poetas" - concordei quando lembrei que eles inspiram o mar, o céu, as rosas e as mulheres deprimidas; e que juntando letras querem dizer o que todo mundo sabe, mas ignoram. "Agora aos mares, aos céus, às rosas e às mulheres deprimidas que inspiram a vida, os poetas e os sorrisos. "À beleza" - dizemos à uma só voz enquanto você tira os cabelos que cobrem o meu rosto, à beleza que se faz presente no desnecessário, no brilhante e no inesquecível. "À nós dois" - sussuram a vida, o mundo, os poetas, os mares, os céus, as rosas, as mulheres deprimidas e a beleza que em conjunto fazem nós dois uma só tinta de uma só caneta que risca o mesmo papel sem mudar a forma da letra.
Um brinde à nós.

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