quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Corvos.

Hoje eu tive um sonho belíssimo e nele estava eu, é, somente eu. Mas, de repente e me assustando surgiram uns corvos que, mesmo negros, me ofuscaram com uma luz azul forte. Olhos ofuscados e pernas bambas. Eu nunca tinha visto tanta luz saindo de tão pequenos seres. Notei que um dos pássaros possuía uma flor amarela pela qual me interessei. Pensei em capturar a ave e, antes de libertá-la, roubar a flor para enfeitar meus cabelos um pouco curtos. Percebi que seria maldade se o fizesse e lembrei-me que eu tinha biscoitos em meu bolso e nem pensei uma vez em atirar algumas migalhas no chão. Porém, o pássaro nem sequer demonstrou interesse e continuou a me cercar no alto do quintal vazio, onde eu estava. Deitei-me no chão e me coloquei a observá-lo, lá de baixo mesmo. E eu, de um certo modo, sentia que era pessoal. Ele estava olhando para mim! Logo em seguida deduzi que ele não estava com fome, mas poderia ter sede, afinal de contas ele estava tão perto do sol. Fui correndo e voltei da cozinha com um enorme pote de água fresca recém-tirada do filtro. O curioso animalzinho pousou no pote me fazendo o sentir mais próximo de mim. Ao observar ele observando a água vi que não era aquilo que ele estava buscando. Talvez não quisesse nada (?). Ele tinha algo parecido com um papel em sua pata esquerda, o que me deixou mais ambiciosa ainda. O pássaro ficou ali no chão, bem na minha altura, porém não se deixava tomar o seu papel e nem a sua flor amarela. Tentei oferecer-lhe a sombra de uma árvore, mas ele nem sequer direcionou o olhar pra onde eu apontava contente! Eu estava sendo encarada por um pequeno ser, tão menor que eu e acabei tirando a vista. Adormeci em menos de dois minutos em que distanciei meu olhar das asas dele e quando acordei senti um peso em minha cabeça. "Já está no final da tarde" - eu disse, pois já não havia tanto sol quanto antes. Quando levei as mãos à cabeça pude descobrir porque eu estava pesada: o pássaro havia deixado algo para mim. Meus cabelos estavam repletos de pétalas amarelas e um perfume suave cobria meu corpo inteiro, em minha mão esquerda havia o papel que eu tanto havia buscado a tarde inteira. Ainda admirada com o que me rodeada, deixei de observar tudo e fui curiosamente abrindo o papel meio velho que estava em minha mão, minha enorme mão. Eu consegui decifrar algumas palavras que preenchiam aquele pedaço de papel e elas formavam o seguinte recado:
"Você precisa entender que certas coisas na vida vem quando se precisa e não quando se tem o desejo de tal coisa. Você estava prestes a receber sua pura felicidade. Demorei algumas horas para entregar-te e você, logo, a quis comprar. Você jamais poderá comprar sua felicidade! Saiba que as coisas mais puras e necessárias para se viver em paz vem com a naturalidade de seus atos anteriores a elas, tudo que vier te pedindo algo em troca é estragável e substituível. Seja feliz gratuitamente e serás para sempre."  
Acordei e vi um pequeno vulto preto se despedindo de minha janela. Suspirei e fui ser feliz.

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