terça-feira, 18 de dezembro de 2012

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Coloquei a margarina na panela e esperei derreter. Sabia que eu acho a melhor parte? Derreter. Acendi um incenso e peguei o saquinho novo de milho, essa é a minha noite! Antes, fui olhar como estava a noite lá fora e ela não estava lá. Triste. Eu nunca levanto da cama para ver a noite, só para ver a noite. De volta ao gesso da cozinha, uma surpresa: havia derretido tudo e eu perdi a melhor parte, você também. Sinto vontade de acender um cigarro e me deitar no chão frio de qualquer cômodo da casa. Mas eu estava com fome. Não, desejo de pipoca. Derramei, com ternura, os primeiros caroços quando notei algo estranho. E, antes de descobrir o que estava fora do comum, pequei o saco de milho e só consegui ler Mungunzá. "E esse foi o fim da minha noite" - pensei imediatamente colocando a tampa na panela (que, por sinal, não fechava perfeitamente). Depois pensei em fazer outra coisa, afinal eu tinha que viver. Foi aí que abri a geladeira e vi a jarra de suco amarelo e pensei: MARACUJÁ! - e era! Mas, a vaca da caixa de leite me olhou com aquela carinha de "eu que fiz, vai negar é?" e fiquei na duvida entre leite e maracujá. Acabei escolhendo o leite. Branca é a minha cor favorita. Preparei o melhor leite-com-nescau da minha vida, e da sua também. Você nem tomou. Terminei a noite tomando leite, sentindo o perfume dos girassóis do meu incenso e escrevendo para que depois pudesse refletir: tomei leite por falta da pipoca, será que tudo é substituível?

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