quinta-feira, 30 de junho de 2011

20:48hs.

O medo de enxergar fez o homem ficar cego, o receio de ouvir a verdade fez o mesmo homem ficar surdo, de tanto hesitar deixou de fazer, a ânsia de tocar em tudo fez o homem perder o tato. O homem deixou de viver antes de morrer, com as suas obrigações que não são válidas, com seus abraços de gelo, com os seus encontros casuais.
Suas, e por que não dizer 'nossas', vidas se tornaram simples e incapazes de nos trazer surpresas esperadas e além de não ter uma saída para a mesmice do dia-a-dia as vidas não entram numa rotina porque querem, só porque nasceram pra ser daquele jeito mesmo.
O homem se acomoda à qualquer situação, ele não impõe, ele se acomoda. O descendente do macaco está regredindo e, mentalmente, se igualando a uma galinha que só desperta na hora que jogam o milho e ela inclina a cabeça para baixo para comer o que lhe resta.
O homem deixou de ser homem, deixou de ser bicho, deixou de ser.

Conversa a um. [parte 3]


Eu falei pra mim que não ia dar audiência! No entanto só o que faço é questionar a mim. Eu quis colocar outra pessoa nesta conversa a um, mas eu não deixei que eu fizesse isso. Neguei, negarei, ninguém ocupará o lugar que eu ocupo comigo mesma. Ninguém fará as perguntas que eu respondo, ninguém me fará pensar 3 vezes nas coisas que fiz e que quero fazer comigo, ninguém, ninguém..
Eu quero ver quando eu vou cansar de ver as mesmas coisas, de ouvir as mesmas vozes e de fazer as mesmas coisas com as coisas que tenho.
Saberei quando eu posso tomar conta de mim? E depois que eu puder tomar conta de mim, quando eu vou saber quando posso tomar conta de alguém? De uma outra pessoa, de duas até. Quando?
A pergunta, como você pensa, não é "Quando?" e sim "Até quando?" Boto em prática o que eu conheço da vida e faço essa pergunta para mim: Até quando? aí eu respondo: até quando, o que? Eu respondo que tem horas que você é obrigado a se perguntar e, de imediato, responder-se! Não é o meu caso, o nosso caso, o meu e o meu.
"Aii, pensar cansa" - eu falei. Talvez eu não vá me responder, pelo menos não tão imediatamente, não me aguento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como se o mar.

Quando eu vi as fotos da casa
Tudo se esclareceu
Tudo se acalmou
Como se o mar
Entrasse em casa
Lavasse as mágoas
E nos trouxesse calma

Quando eu vi as fotos da casa
Tudo se esclareceu
Tudo se acalmou
Como se o mar
Entrasse em casa
Lavasse as mágoas
Nos trouxesse calma
E a paz, a paz que há na gente
E subitamente se esvai
Quando a mente se perde ausente
E quase naufraga
Essa pequena jangada
Que viaja nesse mar
Eu levei pra casa
Você me trouxe em casa
Eu reencontrei
A paz, a paz que há na gente
E subitamente se esvai
Quando a mente se perde ausente
E quase naufraga
Essa pequena jangada
Que viaja nesse mar
Que entrou lá em casa
E nos trouxe a calma
E deixou suas mágoas pra trás
O que há com a gente?
Por que é que a gente
Não fica em paz
No nosso lar, com a nossa gente?
Por que é que a gente não casa?
Você quer se casar?

Você quer se casar?

Vamos! Espontaneidade. Eu canso de ver resultados que eu já conheço, canso de esperar o inacreditável e ter que aceitar o previsível. Vamos vida, espontaneidade.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Eu não vou ler mais. Vou ficar cega pra você.

terça-feira, 7 de junho de 2011

22:01hs.




Olá, deixa-me apresentar. Sou uma princesa, moro distante de qualquer esquina e não frequento os mesmos bares que você. Bom, vamos à minha história encantada:
Moro num kitnet, é. Perdi o meu castelo no jogo! Divido pequenos metros quadrados com uma colega que trabalha comigo. Vendi minhas carruagens para sustentar o meu vício, acabei entrando nesta vida depois que vi o meu pai estuprando minha dama de companhia, depois disso eu desci do salto. No lugar da minha coroa eu uso um capacete, ganho a vida como motogirl. Eu mesma faço as minhas unhas e sou eu quem pinta os meus fios brancos. Meu nome está sujo no SPC mas eu consigo dinheiro para ir às farras e tomar uns chopps como as mulheres dessa cidade fazem. Tropeço nas calçadas, ando de metrô, almoço na rua, não tenho plano de saude e vendi o meu título de nobreza.