quinta-feira, 6 de junho de 2013

Colocou a bolsa no chão
e foi correndo contar
Mais bonito que pena de pavão
ela transparecia no olhar
Viu um moço no portão
e com ele pôs-se a sonhar.

Contou sobre o moço que havia visto
falou pra irmã, tia e avó
Mostrou com o olhar que ele era bem quisto
e disso isso numa piscada só
Não entendeu por que aconteceu isto
e virou laço antes de ser nó.

Aquele moço que ali apareceu
foi o destino que enviou
E a moça, então, se perdeu
num caminho que nem sabe onde começou
E no par de olhos que conheceu
viu refletir o verdadeiro amor.

mi mitad.

Às vezes, sinto que estou pela metade. Onde falta um pedaço importante de mim e eu não lembro onde deixei pela última vez. Eu tenho o costume de deixar tudo pela metade também, acho que por influência desse pedaço que me falta. Será? Eu sempre deixo um livro pela metade, a comida no prato, uma prova, até a tinta do meu cabelo está pela metade. Eu nunca li o seu poema até o final, nunca. E com você não seria diferente, também não terminei com você. Deixei que a vida te conservasse assim, pela metade. Conservando sempre os bons momentos, as melhores rugas de felicidade e os melhores carinhos. Todos pela metade, porém inteiros de sinceridade e sentimento. Acho que é isso que me leva a ser inteira, é saber que há sempre uma outra metade de tudo que é e já foi meu por aí, quiçá me procurando. 

Vidas, passados e presentes que serão passados.

Quando pensei em escrever, já estava com os dedos trabalhando. Antes eu não pensei em escrever, aliás, em quê estou pensando agora? Ah, estou pensando em mim, mais especificamente em minha vida. Será que tomei as decisões certas? Será que as oportunidades que eu não agarrei me reservavam melhores momentos? Enfim, não quero mais pensar nisso. Afinal, o que posso fazer agora? Ir em frente? Mas, isso é o que todos fazem. Eu vou continuar aqui, parada nesse mesmo lugar até o final. Continuarei comendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas canções, falando com as mesmas pessoas e indo aos mesmos lugares. Mas, assim eu vou deixar de viver? Acho que sim, que monótono isso de não fazer nada de novo nunca. Eu até posso experimentar coisas novas, músicas novas e pessoas novas. Posso sim! Isso! É o que eu farei. Mesmo que eu ainda pense no passado, estarei vivendo o presente? Também acho que sim, o passado foi feito pra isso mesmo. É, mas já foi presente um dia. Então, tudo se resume a criar um belo passado para se lembrar um dia? Disso eu tenho certeza. Eu não gosto nada dessa ideia de eu ser uma lembrança um dia e que, com o passar do tempo, eu serei apagada e fim. Você está satisfeito com o passado que está criando? Tem amor lá? Será que eu posso ir lá quando eu quiser, por que eu sempre desejo estar por lá. Posso?