sexta-feira, 15 de junho de 2012

Enquanto ele trocava a macha do carro, enconstava a sua mão na dela que estava apertando as suas próprias cochas como um sinal de nervosismo. Enquanto ele fingia observar a estrada pelo retrovisor do lado dela, ela fingia se interessar por todas as placas viradas ao contrário que passavam ao lado dele. Antes de chegaram no final da rota que os fazia permanecer juntos e tão próximos, o silêncio os obrigou a indagarem a mesma questão: Preciso te dizer uma coisa! E embaralhando verbos com lembranças eles misturam as frases e confundem as mentes querendo dizer a mesma coisa: Me perdoa, eu te amo.

Talvez, eu tenha deixado de fazer poemas por pensar que eles deveriam ser sempre doces, românticos e agradáveis aos olhos de quem lê. Mas, se quem escreve não se satisfaz, quem se satisfará com o que lê?



Folgue a coleira do seu demônio,
adormeça e deixe-o tocar fogo na casa.
Se ele queimar o seu ultimo neurônio,
peça a ele, em troca, sua asa.

Se ele te negar teu ingênuo pedido,
vira-te as costas e dorme.
Reza um terço fodido,
como quem teme e morre.

15.06.2012

Me sinto como se não soubesse como estou me sentindo. Ora pensativa, ora decidida. Mas sinto que estou seguindo no certo caminho: não se machuque!
Não olho mais para os lados, mas ainda enxergo à frente. Ainda consigo olhar para trás e sorrir. Ainda lembro dos meus medos e os conservo para nunca me ferir. Não posso mais olhar nos olhos de ninguém, não posso mais tocar nos sonhos de ninguém e nem consigo mais fazer planos; tudo isso no caminho que estou seguindo: não se machuque! Eu nem podia escrever, talvez eu cancele esse texto antes de ser publicado ou talvez eu o divulgue e ninguém o dê importância. Mas não me machuque!
Eu ainda sinto as mesmas dores, embora não saiba como estou me sentindo agora. Será que eu estou confusa? Será que me tornei uma pessoa normal? Que decepção.
Me sinto como se não soubesse como estou me sentindo, mas sinto uma ponta de felicidade que fura e atravessa minha mente. Felicidade que dá e passa, como o acender de um fósforo na beira de uma praia. Felicidade que me preenche e me deixa mais vazia a cada vez que passa, a cada vez que me satisfaz. Eu ainda gosto de ouvir as mesmas músicas, ainda quero conhecer os mesmos lugares e viver meus antigos sonhos; só não consigo sonhar mais. Eu ainda choro quando fico nervosa, eu só controlei os meus nervos. Não vamos nos machucar! Será que estou desesperada? Porque tanto medo? Porque tanto receio em errar na mesma coisa?
Não sei como estou me sentindo agora, mas sei como irei me sentir nos próximos longos meses. Com alguns pingos de felicidade manchando os meus dias monótonos.