quarta-feira, 10 de julho de 2013

Carta à mim.

Querida eu,

Venho através desta, comunicar meu estado nesse momento. Bem, hoje eu estou me sentindo bem mas, não completamente feliz e realizada; ainda faltam algumas coisas (aquelas coisas que eu não escrevo). Mas, queria deixar claro que estou bem e que só preciso de algumas mudanças em minha vida. Acho que preciso me concentrar mais em mim mesmo, talvez meditar ou só ficar um bom tempo em um lugar muito bonito que me faça pensar e repensar. Também acho que preciso me livrar de algumas coisas, como algumas manias e vícios; sei que não fazem mal - mas, me impedem de evoluir a minha alma. Que tal se eu raspasse o cabelo? Não, não é disso que quero me livrar. Estive pensando em mudar o guarda-roupa e o cabelo! Quero muito ir à Índia, tenho um pressentimento de que posso aprender muitas coisas que eu preciso pra me sentir extremamente bem e feliz, que tal, vamos? O nome Índia me traz um sorriso de paz, e é isso que quero manter pro resto da minha vida. Tenho muito amor dentro de mim, sempre busco mais. Amor nunca sobra. Pretendo ser mais independente nos dias que virão, tipo de sair sozinha por aí e me satisfazer com o que eu encontrar pelo caminho. E por fim, acho válido escrever pra mim mesma pra eu ter certeza de que disse e quis as palavras citadas e tentar jogá-las na vida real, aqui fora.

Com amor, eu.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Colocou a bolsa no chão
e foi correndo contar
Mais bonito que pena de pavão
ela transparecia no olhar
Viu um moço no portão
e com ele pôs-se a sonhar.

Contou sobre o moço que havia visto
falou pra irmã, tia e avó
Mostrou com o olhar que ele era bem quisto
e disso isso numa piscada só
Não entendeu por que aconteceu isto
e virou laço antes de ser nó.

Aquele moço que ali apareceu
foi o destino que enviou
E a moça, então, se perdeu
num caminho que nem sabe onde começou
E no par de olhos que conheceu
viu refletir o verdadeiro amor.

mi mitad.

Às vezes, sinto que estou pela metade. Onde falta um pedaço importante de mim e eu não lembro onde deixei pela última vez. Eu tenho o costume de deixar tudo pela metade também, acho que por influência desse pedaço que me falta. Será? Eu sempre deixo um livro pela metade, a comida no prato, uma prova, até a tinta do meu cabelo está pela metade. Eu nunca li o seu poema até o final, nunca. E com você não seria diferente, também não terminei com você. Deixei que a vida te conservasse assim, pela metade. Conservando sempre os bons momentos, as melhores rugas de felicidade e os melhores carinhos. Todos pela metade, porém inteiros de sinceridade e sentimento. Acho que é isso que me leva a ser inteira, é saber que há sempre uma outra metade de tudo que é e já foi meu por aí, quiçá me procurando. 

Vidas, passados e presentes que serão passados.

Quando pensei em escrever, já estava com os dedos trabalhando. Antes eu não pensei em escrever, aliás, em quê estou pensando agora? Ah, estou pensando em mim, mais especificamente em minha vida. Será que tomei as decisões certas? Será que as oportunidades que eu não agarrei me reservavam melhores momentos? Enfim, não quero mais pensar nisso. Afinal, o que posso fazer agora? Ir em frente? Mas, isso é o que todos fazem. Eu vou continuar aqui, parada nesse mesmo lugar até o final. Continuarei comendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas canções, falando com as mesmas pessoas e indo aos mesmos lugares. Mas, assim eu vou deixar de viver? Acho que sim, que monótono isso de não fazer nada de novo nunca. Eu até posso experimentar coisas novas, músicas novas e pessoas novas. Posso sim! Isso! É o que eu farei. Mesmo que eu ainda pense no passado, estarei vivendo o presente? Também acho que sim, o passado foi feito pra isso mesmo. É, mas já foi presente um dia. Então, tudo se resume a criar um belo passado para se lembrar um dia? Disso eu tenho certeza. Eu não gosto nada dessa ideia de eu ser uma lembrança um dia e que, com o passar do tempo, eu serei apagada e fim. Você está satisfeito com o passado que está criando? Tem amor lá? Será que eu posso ir lá quando eu quiser, por que eu sempre desejo estar por lá. Posso?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Nostalgia.

Eu gostava de como eu parava para tirar fotos, gostava quando eu eu tinha os piores almoços do mundo, quando eu era surpreendida, quando eu sentia meu sorriso iluminar, quando eu saía e ia ser feliz. Não que hoje eu não pare para me fotografar ou que eu não seja mais feliz, eu gostava de antes. Agora, eu gostava de antes. Quantas pessoas estavam comigo todos os dias, ou na maior parte do tempo, e hoje nem falam mais comigo? Quantas coisas bobas eu já parei de fazer, por não ter mais quem me desse atenção? Quantas vezes eu me policiei para não chorar e acabei fingindo ser forte? Quantos anos se passaram? Quantas horas? Quantos sonhos partiram e, sem virarem realidade, me partiram ao meio? Quantas, quantos? ... Por mais que se tenha passado o tempo e eu sinta falta de quase tudo que foi feito, eu gosto de como o tempo passa. Gosto de como o tempo me traz novos sorrisos e lágrimas. Gosto de como o tempo me faz parar para refletir sobre o tempo. O meu tempo, o nosso tempo. O tempo que nunca tivemos e sempre foi nosso, o tempo que já se foi.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vontade de tu

Saudade danada
vontade de tu
Fulô de caju
ficou teu perfume
Sou teu vaga-lume
na noite perdido
Por ter confundido
sorrisos tamanhos
Teus olhos castanhos
de sol manhecendo
Teus ventos correndo
a revolução
É meu coração
bandeira vermelha
De sangue assemelha
a cor que desfraldas
É quando me maldas
com tanta distância
A tua flagrância
persiste o caminho
Que sigo sozinho
depois que partistes
Por mais que conquiste
pareço ter nada
Nessa caminhada
que sigo sem tu
Fulô de caju
saudade danada

Nilton Junior

terça-feira, 5 de março de 2013

Flores e céus.

Haviam flores em sua mão. Quando ela foi se encontrar com ele, haviam flores em sua mão. Ela as havia colhido naquela manhã mesmo, estavam com um ótimo cheiro e uma cor viva de gema de ovo. Em um jarro no canto de seu terraço haviam flores amarelas, perfumadas e belas. E ela foi se encontrar com ele no lugar de sempre: numa lanchonete antiga, numa rua antiga de um bairro antigo e que tinha uma varanda antiga que dava para ver um novo céu (sempre). Além das flores ela carregava uma bolsa e um sorriso, na bolsa haviam livros e no sorriso paixão. Calçava os mesmos sapatos de ontem e um vestido amassado que quase nunca usava, era lindo - com flores e corações. E lá estava ele, chegava primeiro sempre e se sentava no mesmo lugar. Ele sempre pedia um café puro e meio frio, abria qualquer página de qualquer jornal e fingia ler. Fingia estar distraído quando ela entrasse no lugar, para que ela notasse que ele deixava de fazer o que estava fazendo só para olhá-la. Ele era lindo! Dentes perfeitos, cabelo impecável e exalando sempre um cheiro carinhoso que a prendia. Ela adorava o jeito em que ele levantava para puxar a cadeira para que ela sentasse, achava lindo quando ele pegava em sua mão e depois gritava ao garçom um suco de laranja - que era o preferido dela -, odiava quando ele voltava a ler o jornal, mas ele sempre se distraia com o barulho que ela fazia bebendo o seu suco. Mas, ele não puxou a cadeira pra ela. Não desta vez. Ela olhou para o céu, constrangida e no momento em que baixou sua cabeça, para puxar o seu próprio assento para perto de si e sentou, olhou para o céu novamente e viu que ele já havia mudado as formas de suas nuvens. Naquela tarde não tinha sido só o céu que havia mudado, ele também mudou. Pediu um café quente com leite, ouvia música em fones de ouvido e realmente estava distraído com aquilo. "Mas porquê ele?" - ela indagou a si mesma, pois jamais passaria em sua cabeça que aquele seu amor pudesse mudar e ser outro. Ele, como sempre, segurou a mão dela, mas não pediu o seu suco. Disse em voz tranquila que iria embora para fora daquela cidade antiga e que iria se encontrar com um novo alguém, alguém esse que o convenceu de mudar. Pediu que ela fosse forte e que a dor que ela vira a sentir ia passar logo, pois ela era sábia. Pena que ela não era mágica. Sentiu a pior dor que já havia sentido e tomou o café que ele deixara pela metade da xícara ao ir embora pela pequena porta de vidro da varanda da lanchonete. Ela não chorou, só bebeu o café quente com leite. Aquilo era a única lembrança que sobrara dele. E ainda haviam flores em sua mão, flores que ela não conseguiu entregar porque ela olhou para o céu e sentiu tudo mudar. E ela murchou com as flores, na mesma rapidez. Nunca mais colheu flores, nunca mais tomara café, nunca mais sorrisos, nunca mais amor.