quinta-feira, 24 de outubro de 2013

E eu que nunca fui de receber e nem de dar flores, sinto falta do perfume de algumas rosas murchas que passaram do seu tempo de vida e desfrutam do tempo de morte. Eu que nunca precisei usar aliança para que todos soubessem que eu, meramente, estava em um compromisso com alguém; sinto falta da marca de sol que ela que ela faria em meu dedo com a força do tempo e da rotina, eu olharia para a minha marca e lembraria de todos os momentos em que olhei para a mão e via um compromisso. Eu que nunca fui de correr atrás do que sempre quis, hoje sinto falta de ter as minhas pernas doloridas de tanto esforço que fiz para correr; me sinto sem os movimentos, mas vejo alguém lá no final do corredor fazendo sinal com as mãos para que eu chegue até lá. E se sentir o cheiro das flores, não adiantará; estarão mortas. E se eu conseguir enxergar a marca de um anel em meu dedo, não adiantará; ele já se foi. E se eu conseguir chegar no final do corredor, ainda não adiantará; a pessoa que me chamara não pôde me esperar.

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