quarta-feira, 6 de abril de 2011

21:47hs.

"Quantas coisas para resolver na Caixa Econônica Federal!" - foi só o que eu pensei quando recebi a tarefa de resolver coisas sobre PIS/FGTS na agência localizada no plaza. Entreguei meus pertences ao guarda, rolei na catraca, recuperei minhas coisas e peguei uma senha. Já sentada ouço um furdunço que não tinha me esperado para começar. Eles eram 4 com o menininho de 3 anos de idade, segurado pela mãe, ameaçado pelo tio e aconselhados por uma velhinha que já aparentava seus 72 anos. A discussão rolava porque o tio acreditava que as crianças aprendiam na base de alguns pesados tapas, mas a mãe da tal criança discordava.. e aí deu-se vida a uma polêmica que eu não quis opinar. Assim como eu, ele estava sorrindo e concordando com ambas as partes do conflito. Concordavamos sem saber a influencia que causaria com o nosso balançar de cabeça. A familia se ia, todos no embalo de uma polêmica digna de uma redação de ENEM! Eles se foram, já era 16:20 da tarde e a Caixa já havia fechado suas portas, restavam poucos no ambiente. Ele, que riu e concordou comigo, sentou-se no assento que a velha senhora deixava vago. Falou timidamente: essas crianças são fogo, não é?! Como eu discordaria? Eu achava a mesma coisa, percebi que ele já carregava umas 30 primaveras nos olhos e na barba grisalha. Comentei sobre o absurdo de esperar tanto para ser atendida naquela agência e ele, pra variar, concordou comigo e acressentou que quase não chegava naquele local. Ele começou a suar, apertava o rosto com frequencia e eu fiz o que ele pedia com os gestos.
Porque quase não chegava aqui? - Gentilmente, mas não menos curiosa, perguntei. Ele respondeu que estava saindo de outro banco quando um sujeito o abordou com uma arma prata de um cabo de madeira laranja, bateu com a arma no vidro do seu Doblô e mandou que passasse todo o dinheiro que ele havia sacado naquele banco. Mas como ele havia ido pegar extratos acabou tirando os papéis do bolso e mostrando ao seu pesadelo. Ele contava que suava frio e que estava da cor de sua camisa (verde). Falou pro cara que não tinha dinheiro e viu o sinal abrir, sem pensar no estrago que uma bala daquela, tão bela, arma faria... ele saiu em direção à Av. Caxangá e se livrou daquela agonia interminável. Desabafando pra mim ele disse que estava muito nervoso ainda, ofereci a minha senha pra ele (que era a próxima) e ele recusou, tirou do bolso a sua carteira e retirou um pequeno envelope de plástico (pequeno mesmo) onde continha a foto de um menino de (aproximadamente) 5 anos e de uma mulher. Ele, com os olhos enxarcados, olhou pra mim e disse: Só quero chegar em casa, agora, dar um beijo em meu filho e abraçar a minha mulher. E dizer que foi por pouco que eu não os deixo sozinhos por aí. Pedi que ele tivesse calma e que aquilo tudo já havia passado, disse para ele que hoje em dia é normal você perder tudo pra quem você nunca viu na sua vida e que sempre temos que nos adaptar às situações que a vida nos joga. Ele disse que eu levava jeito para tratar com pessoas e me desejou sorte na vida e no que eu pretendesse fazer com ela.
Ele só queria, depois de tudo, chegar em casa e ter o acalanto do filho e da esposa, talvez isso seja o amor ou o refúgio de alguém que foge da rotina como quem corre de uma tempestade de fogo. Depende de quem escuta a história, depende da história de quem escuta.


Você se imagina refugiado desse jeito, você ama ou você foge, você arrisca ou se entrega?

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