Caminhando com um só propósito avistei a lua e ela estava tão clara como o céu azul que ela enfeitava, já era dia e a lua não estava no seu lugar. Assim como eu. Eu andava só pra chegar, pra ficar e marcar presença com alguma gota de minha essência que passou do prazo de validade. Eu quis tanto chegar que acabei me perdendo no caminho, assim como a lua. Eu deixei-me tingir os olhos, depois a cor dos cabelos, eu já nem usava mais roupas e estava tão transparente quanto ela. Ela, a lua, me entendia e me apoiava quando eu pensava em ficar perdida pra sempre. Na conversa tida em um levantar de cilios ela me falou que eu não tenho que chegar, que se perder é necessário e que o valor da chegada foi subtraído por outros grandes valores. Quem chega corre, quem corre cansa, quem cansa nunca está satisfeito. É aí, quando estamos cansados, que pensamos religiosamente igual. Sempre perguntando a si mesmo se o que está fazendo é certo e se vale a pena fazer esse certo, perguntamos se queremos mesmo chegar e se vai haver alguém te esperando nesse lugar. A lua me ensiou que às vezes eu tenho que partir para que valha a pena algo na vida.
O valor das coisas não está onde você quer, mas no que você nem sequer pode ver.
Um comentário:
Sem dúvidas um belo texto.
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